sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Invasão de Privacidade

Privacidade é um paradoxo quando falamos de convivência. É aquela coisa que todos têm; um tesouro guardado a sete chaves.
Quem nunca quis saber o que aquela pessoa pensa de você? Quem nunca quis ver o mundo com os olhos dos outros?
Seria incrível poder saber o que todos pensam de tudo, o que é bonito e o que não é para cada um.
É o meu maior desejo neste momento. Invadir seus pensamentos e descobrir o que tem de mim na sua mente. Saber o que realmente se passa por trás de tantos olhares e expressões, descobrir aqueles pensamentos que você tenta esconder até de si mesmo. Que se recusa a pensar porque parece ridículo. Queria ver seus sonhos: a maneira com que seu inconsciente manipula a realidade e o resultado dessa manipulação. Duvido que haja no mundo alguém que nunca tenha sequer imaginado invadir os pensamentos de alguém.
Imagino o que aconteceria se alguém pudesse hackear meus pensamentos, caso conseguisse descriptografá-los e entendê-los, o que já não seria tarefa fácil.
Não sei se suportaria saber que meu tesouro mais precioso foi aberto ao público.
Não que eu tenha segredos mortais, pois não tenho, mas tenho opiniões sobre certos assuntos que é preferível ocultar de todos para evitar qualquer problema. Pensamentos guardados no fundo de minhas ideias por pura insegurança. Não necessariamente por medo, mas pela incerteza da aceitação. Por não saber se as pessoas vão concordar ou o que elas vão pensar. Não sou o tipo de pessoa que vive para agradar aos outros, mas é mais fácil guardar minhas coisas só para mim do que tentar explicar ao mundo meu modo de interpretá-lo.

domingo, 10 de maio de 2015

Nuvens

Gosto de observar o céu. Tanto o dia quanto a noite possuem particularidades que atraem os meus olhos e despertam minha imaginação. Por exemplo as nuvens. Elas estão acima de nós quase o tempo todo e quase nunca as percebemos. Mas é tão bom ficar observando as nuvens mudarem de forma, perder a noção do tempo com uma brincadeira tão inocente...
Sei que é fisicamente impossível, mas gosto de imaginar qual seria a sensação de se estar dentro de uma nuvem. Uma "bolsa" de água condensada flutuando pelos céus. Talvez seja como sair de um longo banho quente, tudo ao redor embaçado e úmido, porém em proporções indescritivelmente maiores.
É interessante a maneira como elas se movem, se unem e se separam tão delicadamente, nunca ficam paradas. Por mais imperceptível que seja, estão sempre se organizando nos formatos mais curiosos, se sobrepondo em diversas camadas...
Parecem tão delicadas, movem-se por qualquer brisa, bailam no céu como se nada mais importasse. Mas é quase inacreditável que aquelas nuvens aparentemente inofensivas e tão frágeis são capazes de se unir e deixar o céu completamente cinza.
Gosto de pensar que essa foi a maneira encontrada por elas para serem finalmente notadas por nós, quando abandonam aquela face amigável e se tornam ameaçadoras.
Na maioria das vezes elas são pacíficas, como quando resolvem embelezar os fins de tarde. O modo com que os raios do sol poente atravessam as nuvens provoca um efeito surreal hipnotizante, digno de filmes, que arranca os sorrisos e olhares mais sinceros de qualquer pessoas. As nuvens são mais um dos incontáveis mistérios do universo que me fascinam, mas é melhor parar por aqui, pois posso estender esse assunto por tanto tempo quanto a vida de uma estrela.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Jardins e Borboletas

Aqui nesse mesmo banco, aqui nesse mesmo jardim, sentada observando o horizonte, pensamentos passam em minha mente como folhas caindo das árvores no outono, como um filme de cenas soltas, sem lógica e sem cronologia.
Mas sempre no mesmo banco do mesmo jardim, assim como faço todos os dias, percebo que nenhum dia é igual ao outro, nada acontece duas vezes.
Gosto de observar as borboletas. Gosto de metáforas. E as borboletas, penso eu, são a melhor metáfora que pode se fazer da vida em seu todo.
Agora entenda porquê: ninguém gosta de lagartas, elas não são bonitas e comem as plantas das quais as pessoas tanto gostam. Mas quando se isolam do mundo, constroem um casulo e ficam lá por dias e dias, ninguém percebe sua ausência.
Mas um belo dia, ao sair do isolamento já com belas asas, podendo voar livremente e aproveitar sua breve existência, os humanos ficam admirados com sua beleza e exclamam: Vejam que lindas as borboletas!
Podemos conseguir diversas metáforas do ciclo metamórfico das lagartas, algumas dessas as quais citarei futuramente, outras, que você próprio vai obter depois de pensar um pouco no assunto...